Dez
dias mais curta, a propaganda eleitoral na televisão terá largada na
sexta-feira (31/8) e vai testar o poder do meio de ainda influenciar a escolha
do eleitor. O formato desta eleição assegura aos presidenciáveis um total de
quinze programas ao longo de 35 dias. Para quem tem mais tempo, como Geraldo
Alckmin (PSDB), essa é considerada a última oportunidade de crescer nas
pesquisas e chegar ao segundo turno.
Diferentemente
das eleições presidenciais anteriores, custeadas com doações de empresas e
marcadas por investimentos milionários em ações de marketing, a força eleitoral
da TV tem sido contraposta ao imediatismo da internet.
As
redes sociais têm sido centrais, por exemplo, na estratégia de Jair Bolsonaro
(PSL). Em julho, levantamento do jornal O Estado de S. Paulo encontrou 83
páginas de seguidores que fazem campanha do presidenciável. Essas páginas
quadruplicam sua relevância na rede, em relação ao alcance da página oficial de
Bolsonaro.
“Como
o tempo de campanha é menor, em termos relativos vai ter menos informação
circulando pela TV. Ela perde um pouco de importância, enquanto a internet vira
uma alternativa viável”, disse o professor de ciência política da USP Glauco
Peres.
A
ampla exposição que Bolsonaro obtém na internet, no entanto, não se repetirá
quando começar o programa eleitoral. Com apenas um aliado, o PRTB, o deputado
terá direito a apenas 8 segundos na TV e no rádio para expor seu nome e o número
de seu partido. Em contrapartida, Alckmin aposta todas as fichas nos mais de
cinco minutos a que terá direito em cada um dos dois blocos fixos por dia para
sair da quarta posição nas pesquisas.
“Vou
conseguir falar um pouquinho de mim, e está bom demais”, afirmou Bolsonaro. Sua
estratégia, porém, vai além disso. Nos poucos segundos de TV, ele vai chamar o
eleitor para acompanhar as lives (transmissões ao vivo na internet) que fará em
redes sociais. “A gente vai fazer uma live e chamar o eleitor (pela
televisão).”
Estratégias
Estabelecida
pelas coligações registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a duração
dos programas que formarão o horário eleitoral gratuito varia de 5 segundos a 5
minutos e 32 segundos. Candidatos à Presidência serão expostos às terças,
quintas e sábados, mesmo calendário a ser cumprido pelas emissoras de rádio.
Cada
um com sua estratégia, os candidatos vão vender ao eleitor uma opção de mudança
para o Brasil. Numa eleição em que o atual presidente é escondido até por aliados,
as campanhas vão adotar um discurso de oposição, até mesmo Meirelles,
ex-ministro da Fazenda do governo Temer. No primeiro programa, vazado na
internet, o emedebista optou por mostrar não Temer, mas Lula, de quem foi
presidente do Banco Central.
Auxiliares
de Alckmin acreditam que o PT tem um lugar garantido no segundo turno da
eleição. Como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na
Lava Jato, está potencialmente impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa,
esse candidato deverá ser o ex-prefeito Fernando Haddad. Neste sentido, o foco
das inserções de 30 segundos distribuídas pela programação deverá ser a
“desconstrução” de Bolsonaro.
Os
programas de Marina Silva (Rede) devem seguir, por enquanto, a estratégia de
focar no eleitorado feminino. As inserções começam a ser gravadas neste
domingo, 26, em São Paulo. Se o investimento na TV não será alto, a campanha
aposta nas redes sociais.
Além
das agendas nos Estados nesta primeira semana de campanha, já foram produzidos
dois vídeos de apresentação da candidata. Em um deles, Marina é comparada à
natureza e diz: “Eu vim da floresta. Sou brasileira, sou mãe, sou mulher, sou
negra, sou professora, sou trabalhadora. Não desisto”.
Ciro
Gomes (PDT) vai usar a TV para apresentar sua biografia e expor propostas, como
a de “limpar o nome” de mais de 60 milhões de brasileiros endividados.
No
PT, o foco é popularizar a imagem de Fernando Haddad. Mas há preocupação com
ataques de adversários no campo da esquerda ao ex-prefeito. Eles avaliam que
Ciro, Marina e, talvez, Guilherme Boulos (PSOL) possam criticar Haddad a fim de
evitar a transferência de votos de Lula para seu possível substituto e herdar
parte do espólio lulista. Por isso, o primeiro programa vai reforçar a relação
de fidelidade entre Haddad e o ex-presidente.
Com
13 segundos por bloco no horário de TV, Boulos vai apostar em uma campanha
integrada com as redes sociais. A ideia é aproveitar o pouco tempo para chamar
o eleitor para ter mais informações na internet.
(Estadão
Conteúdo)
Domingo,
26 de agosto, 2018 ás 18:00
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