Liberdade de expressão

“É fácil submeter povos livres: basta retirar – lhes o direito de expressão”. Marechal Manoel Luís Osório, Marquês do Erval -15 de abril de 1866

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25 maio, 2020

SERGIO CRITICA A FALTA DE APOIO DE BERINJELA À AGENDA ANTICORRUPÇÃO E O SEU NEGACIONISMO SOBRE A PANDEMIA



O ex-ministro Sergio Moro (Justiça) acusou domingo (24/05), o presidente Jair (sem partido) de ser negacionista em relação à pandemia do novo coronavírus e disse que sua lealdade ao presidente exigia que discordasse de suas posições e que não fosse um “papagaio”. Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, o ex-juiz criticou as substituições realizadas no comando do Ministério da Saúde durante a crise sanitária.

Em meio à pandemia, divergências com o presidente sobre o uso do medicamento cloroquina derrubaram os ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. “As substituições no Ministério da Saúde acho que são absolutamente controversas. Claro que o presidente escolhe os seus ministros, mas são substituições bastante questionáveis do ponto de vista técnico”, afirmou Moro.

O ex-magistrado disse que se sentia desconfortável com a gestão que Jair  faz da crise sanitária. “A posição do governo federal em relação à pandemia é muito pouco construtiva. ” Para o ex-ministro, o presidente tem uma posição negacionista sobre a crise. Enquanto ainda fazia parte do governo, Moro chegou a defender, em redes sociais, o isolamento social para tentar reduzir a disseminação do novo coronavírus.

Segundo ele, em várias reuniões o governo foi alertado para o risco da escalada de mortes na pandemia —que atingiu neste domingo a marca de 22.666 óbitos. Ainda assim, disse, faltou planejamento federal para enfrentar a crise.

“Acho que a minha lealdade ao próprio presidente demanda que eu me posicione com hombridade, com o que eu penso, e não apenas concordando com a posição do presidente. Se for assim, não precisa de um ministro, precisa de um papagaio”, criticou.

Na entrevista, o ex-juiz afirmou que Bolsonaro não se esforçou para implementar uma agenda de combate à corrupção. Como exemplos disso, citou o fato de o governo não ter se empenhado para manter o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) na estrutura do Ministério da Justiça —depois de idas e vindas, o órgão foi parar sob o guarda-chuva do Banco Central.

Também afirmou que o presidente não apoiou o pacote anticrime, uma de suas principais bandeiras à frente do ministério, e que não saiu em defesa da prisão após condenação em segunda instância. “Essa interferência na Polícia Federal, a meu ver, vem no âmbito de um contínuo em que eu via essa agenda anticorrupção ser cada vez mais esvaziada”, afirmou.

“O governo se vale da minha imagem, que eu tenho esse passado de combate ao crime, contra a corrupção, e de fato o governo não está fazendo isso. Não está fortalecendo as instituições para o combate à corrupção”, complementou. Moro também criticou as alianças recentes do governo com o chamado Centrão, formado por partidos como PP, PL e Republicanos, na base da velha política de apoio em troca de cargos.

 “Claro que existe todo esse contexto de desapontamento em relação à falta de empenho do presidente em relação à agenda anticorrupção, que envolve agora essas alianças políticas, algumas questionáveis”, disse. Moro falou ainda sobre sua saída do Ministério da Justiça e Segurança Pública, atribuída a uma tentativa de interferência de Bolsonaro no comando da Polícia Federal.

Segundo ele, o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril é uma prova da ingerência do presidente no órgão. O ex-juiz afirmou ainda não ter se sentido confortável no encontro. Moro anunciou sua demissão no dia 24 de abril, mesmo dia em que foi publicada no Diário Oficial a exoneração de Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. No dia 22 de abril, horas antes da reunião ministerial, Bolsonaro mandou uma mensagem a Moro cobrando a saída de Valeixo.

No dia seguinte, Bolsonaro voltou a enviar uma mensagem a Moro falando da troca de Valeixo. Ao citar matéria do site O Antagonista intitulada “PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas”, Bolsonaro escreveu “Mais um motivo para a troca”, se referindo à sua intenção de tirar Valeixo do comando da corporação.

Bolsonaro nega que, durante a reunião no Planalto do dia 22 de abril, tenha se referido especificamente à PF em suas falas. Afirma que jamais buscou pressionar Moro para mexer na corporação com o objetivo de influenciar em investigações ligadas a questões pessoais ou familiares. Na última sexta-feira, dia 22, no entanto, foi divulgada a gravação da reunião entregue pelo governo ao STF no inquérito.

No vídeo, Bolsonaro se queixa da falta de dados dos órgãos de inteligência e de uma suposta perseguição a irmãos. Daí, faz uma declaração central para o inquérito que apura se ele tentou, de fato, interferir indevidamente na Polícia Federal, especialmente na superintendência da corporação no Rio.

“Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui. E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”, bradou o presidente.

Em depoimento, Moro afirmou que Bolsonaro se referia, naquele contexto, à mudança em alguns postos-chave da PF, ante sua preocupação com apurações em curso. O presidente sustenta, contudo, que sua fala era a respeito da troca de equipes do Gabinete de Segurança Institucional, responsáveis por proteger seus familiares, versão que se enfraquece mais ainda com a divulgação do vídeo da reunião. Após a demissão de Valeixo, o primeiro ato da nova gestão da PF foi trocar o superintendente da corporação no Rio.

Em outro trecho da reunião, Bolsonaro confirma o interesse em intervir na polícia, mas também em outros órgãos do Executivo. Ele cita “PF” (sigla de Polícia Federal) num contexto de insatisfação com a falta de informações de inteligência. E a relaciona entre os órgãos que seriam objeto de sua interferência.

“A pessoa tem que entender. Se não quer entender, paciência, pô! E eu tenho o poder e vou interferir em todos os ministérios, sem exceção. ” O teor do vídeo e os depoimentos em curso são decisivos para a PGR (Procuradoria-Geral da República) concluir se irá denunciar o presidente Jair Bolsonaro por corrupção passiva privilegiada, obstrução de Justiça e advocacia administrativa por tentar interferir na autonomia da Polícia Federal.

* Folha

Segunda-feira, 25 de maio, 2020 ás 10:00


24 maio, 2020

CLOROQUINA A ÚNICA POSSIBILIDADE DE CURA CONTRA PANDEMIA



O capitão cloroquina comemorou sábado (23/05), na porta do Palácio da Alvorada, os testemunhos de pessoas que afirmam ter sido curadas da Covid-19 após uso de cloroquina. Apoiadores pagos estavam no cercadinho carregando um cartaz fazendo propaganda do medicamento.

Ele se negou a responder perguntas da imprensa, um dia após o vídeo de reunião do governo ser divulgado onde Bolsonaro fala sobre interferência nos ministérios. Em rápida conversa com a imprensa, o presidente disse que “toma quem quer” a droga, mas que hoje ela é a única possibilidade de cura, embora não haja comprovação científica. Sem apresentar números e a origem da informação, Bolsonaro disse que “muitas pessoas foram curadas” pelo medicamento.

Ao se negar a responder aos questionamentos de repórteres, disse que falaria apenas com os cinegrafistas presentes na porta da residência oficial. Diante da reclamação dos profissionais de imagem sobre agressões de apoiadores do governo, Bolsonaro respondeu: “Faço um apelo para ninguém agredir a imprensa”.

O presidente também ouviu agradecimentos de apoiadores que consideram que ele “defendeu a família dele” durante a reunião ministerial do dia 22 de abril, cuja gravação foi divulgada ontem após decisão do Supremo Tribunal Federal.

Também sábado, Bolsonaro foi recebido com gritos de apoio e manifestações de protesto, na parte da tarde, em uma quadra residencial da Asa Sul, região central de Brasília. Ele foi visitar o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. Os dois foram a padaria comprar pães e fizeram um lanche no apartamento de Ramos, onde Bolsonaro permaneceu durante uma hora e meia aproximadamente.

A aliados, o presidente repetiu, neste sábado, que ministros “escapam”, ao tratar da repercussão do vídeo da reunião ministerial. Ele recebeu as deputadas Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF) e mais cinco youtubers pela manhã no Alvorada.

Ao descer do prédio, Bolsonaro cumprimentou e tirou fotos com alguns apoiadores, mas abreviou o contato após ouvir batidas de panela e gritos de protesto. Alguns dos manifestantes se aproximaram do presidente, obrigando a equipe de segurança a reforçar barreira em seu entorno. Ele usava máscara, obrigatória no Distrito Federal.

Após a visita ao ministro, Bolsonaro se deslocou para o setor Sudoeste, uma área de Brasília, para visitar o filho Jair Renan, a quem chama de “04”. Bolsonaro parou para comer um cachorro-quente, já de noite, em um trailer, na Asa Norte, também região central de Brasília. De novo, ouviu gritos de apoio e de protesto. Fez o lanche do lado de fora do trailer, após questionar se podia comer no local.

Em poucos minutos, a presença do presidente gerou aglomeração em torno do trailer. Apoiadores se aproximaram com gritos de “mito” e “tá reeleito”. Das janelas de prédios, outras pessoas batiam panelas e o chamavam de “genocida”.

*O Globo

Domingo, 24 de maio, 2020 ás 11:00


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