Liberdade de expressão

“É fácil submeter povos livres: basta retirar – lhes o direito de expressão”. Marechal Manoel Luís Osório, Marquês do Erval -15 de abril de 1866

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17 setembro, 2016

'NATURAL QUE OS PODEROSOS REAJAM', DIZ DALLAGNOL SOBRE LULA




O procurador da República Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, afirmou nesta quinta-feira (15), que "é natural que pessoas investigadas reajam" - numa referência aos ataques do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, denunciado quarta (14), por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, que o petista nega ser dono.

Além de Lula, a mulher dele, Marisa Letícia, e outros seis investigados são alvo da acusação por suposto envolvimento no esquema Petrobras de propinas.

"É natural que essas pessoas investigadas reajam. E quando essas pessoas são poderosas econômica e politicamente as reações tomam vulto. Não nos surpreendemos, encaramos com naturalidade", disse Deltan, durante o evento 'Democracia' realizado na tarde desta quinta-feira, em Curitiba, base da força-tarefa da Lava Jato.

O procurador falou sobre o projeto 10 Medidas contra a Corrupção, iniciativa do Ministério Público Federal que Deltan defende vigorosamente.

Na quarta (14), o procurador classificou Lula de "comandante máximo do esquema de corrupção" instalado na Petrobras.

Ele e outros procuradores da força-tarefa deram entrevista coletiva a dezenas de jornalistas, inclusive do exterior, com uso de power point - expediente que rendeu críticas de aliados de Lula nas redes.

Deltan relembrou que esse modo de divulgação da acusação contra investigados já foi adotado em outros "momentos decisivos e transformadores da Lava Jato", ao longo de seus dois anos e meio de existência.

Sobre os questionamentos que tem ouvido e lido de que não teria apontado provas contra o petista, o procurador reportou-se à sétima fase, deflagrada em novembro de 2014, que levou para a cadeia o primeiro grupo de empreiteiros acusados de liderar o cartel que corrompia agentes públicos e políticos. E lembrou, ainda, da 14.ª etapa, Erga Omnes, em junho de 2015, que alcançou a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, as duas maiores construtoras do País.

"Na 14.ª fase chegamos a duas das maiores empreiteiras. No mesmo dia uma dessas empresas fez uma (entrevista) coletiva afirmando que não tínhamos mais do que indícios e presunções", disse Deltan, numa alusão direta à estratégia de defesa de Lula que questiona o rol probatório da Lava Jato na denúncia contra o ex-presidente.

"Falamos em presunções, embora tivéssemos provas que consistiam nos depósitos pelas empreiteiras no exterior nas contas de funcionários públicos corrompidos", destacou Deltan Dallagnol.

"Os próprios agentes alvos de corrupção vieram a confirmar que o dinheiro nas contas era oriundo de propinas", disse o procurador.

Ele reafirmou que o diagnóstico da Lava Jato é "perturbador".

Segundo o procurador, o esquema "mostrou-se muito mais amplo, envolvendo outras estatais como a Eletrobrás e o Ministério do Planejamento".

Ele rechaçou argumento reiterado de aliados de Lula sobre uma suposta motivação político-partidária da acusação. Disse que mais de trezentos investigadores estão mobilizados para as investigações.

"Somos treze procuradores, cinquenta técnicos do Ministério Público Federal, quarenta auditores da Receita e equipes numerosas da Polícia Federal, todos concursados e sem qualquer histórico de vida político-partidária. Todos fazem parte dessa 'conspiração'?"

"A corrupção é enraizada e histórica no Brasil."

"A corrupção não está vinculada a um partido A ou partido B, a um governo A ou um governo B."

"As pessoas podem questionar por que não denunciamos os crimes anteriores aos governos do PT. Porque os crimes prescreveram, demoramos muito para descobrir isso (a corrupção sistêmica no governo)."

No início de sua palestra, Deltan arrancou aplausos e gargalhadas da plateia, ao ironizar a repercussão sobre o uso de power point na coletiva da quarta-feira, quando foi anunciada a denúncia formal contra Lula.

"Vou decepcionar vocês porque não vou falar (sobre a denúncia), nem vou usar nenhum slide aqui."
(Claudio Umberto)
Sábado, 17 de setembro, 2016

MORO DEVE DECIDIR SE ACEITA A DENÚNCIA CONTRA LULA NA SEGUNDA

 
A denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está com o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal, em Curitiba. Moro tem até cinco dias para decidir se acata a denúncia dos procuradores que integram a força-tarefa do MPF na Operação Lava Jato. A assessoria de imprensa da Justiça Federal do Paraná informou que o despacho com a decisão deverá ser publicado na próxima segunda-feira (19).

Caso a denúncia seja acolhida por Moro, Lula se tornará réu no processo, bem como os outros denunciados: a mulher do ex-presidente, Marisa Letícia da Silva; o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto; o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro; e quatro pessoas ligadas à empreiteira, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Paulo Roberto Valente Gordilho, Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira.

Denúncia

Apesar de o MPF acusar o ex-presidente de chefiar o esquema de corrupção identificado na Lava Jato, Lula não está sendo denunciado por formação de quadrilha. Os 13 procuradores da República que assinam o texto afirmam que a denúncia é por corrupção e lavagem de dinheiro.

O capítulo que trata disso ocupa mais de 40 das 149 páginas do documento. Nesse trecho, os procuradores dizem que o governo de Lula foi viável apenas por meio de “um esquema criminoso” envolvendo a compra de parlamentares com propina e distribuição de cargos públicos. De acordo com o texto, as irregularidades apontadas no mensalão e pela Lava Jato são “faces da mesma moeda” e têm como vértice o ex-presidente.

Em outras 40 páginas, os procuradores detalham as acusações direcionadas a Lula, Léo Pinheiro e Agenor Medeiros pelo crime de corrupção. Eles afirmam que o ex-presidente agiu de modo a facilitar contratos entre a Petrobras e os consórcios Conpar e Conest, dos quais a OAS fazia parte, para a realização de obras nas refinarias Repar e Rnest entre 2006 e 2012. Segundo a denúncia, o  consórcio garantiu o contrato com o pagamento de propina a diversos beneficiários, inclusive o ex-presidente.

O segundo crime denunciado pelo MPF, lavagem de dinheiro, ocupa quase 50 páginas do documento e está dividido em dois momentos. O primeiro trata do triplex no Condomínio Solaris, em Guarujá, no litoral paulista. Os procuradores afirmam que o imóvel foi adquirido, reformado e decorado pela OAS em benefício de Lula e de Marisa, como compensação pela atuação do ex-presidente no esquema da Petrobras. Além de Lula e da esposa, foram denunciados nessa etapa Léo Pinheiro, Paulo Gordilho e Fábio Yonamine.

Na denúncia por lavagem de dinheiro, os procuradores afirmam também que Lula recebia vantagens indevidas da OAS por meio de um contrato para armazenagem de bens pessoais do petista. Conforme o texto, a empreiteira fez pagamentos mensais por cinco anos à empresa Granero Transportes para que esta guardasse objetos pessoais do ex-presidente, depois que ele se mudou do Palácio da Alvorada. Essa parte da denúncia também inclui Paulo Okamotto e Léo Pinheiro.

Requerimentos

Os 13 procuradores que assinam o documento não pedem a prisão de Lula ou de qualquer outro denunciado. Deltan Dallagnol, líder da força-tarefa que produziu a denúncia, disse ontem que essa prática é um “padrão” para “não antecipar juízos ou avaliações”.

Os autores da denúncia pedem, no entanto, que o juiz Sérgio Moro ordene o ressarcimento de danos à Petrobras por parte do ex-presidente, na ordem de R$ 87,6 milhões. O texto também solicita que se implique aos denunciados a “perda, em favor da União, de todos os bens, direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática dos crimes”.

Os procuradores indicaram, ainda, uma lista com 27 testemunhas para serem ouvidas, caso a denúncia seja acatada na Justiça Federal.
Sábado, 17 de setembro, 2016

PF FAZ OPERAÇÃO CONTRA FRAUDE BANCÁRIA NA CAIXA NO DF, GO E SP

A Polícia Federal deflagrou na manhã de sexta-feira (16) a Operação Patroncínio, que tem como objetivo identificar uma organização criminosa que movimentou mais de R$ 500 mil da Caixa Econômica Federal. Segundo a PF, a quadrilha agiu entre outubro de 2012 e abril de 2013. A ação é comandada pela Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC).

Estão sendo cumpridos 13 mandados de busca apreensão no Distrito Federal, São Paulo e Goiás, sendo 10 no DF, 2 em Goiás e 1 em São Paulo. Ao todo participaram da operação cerca de 60 policiais federais. Não há pedidos de prisão nesta fase.

Até o momento foram apreendidos notebooks, smartphones, pen drives, tablets, HDs externos, cartões de memória entre outros equipamentos e documentos que apontam a relação entre os envolvidos na fraude. Todo o material recolhido passará por exame pericial nas unidades da PF responsáveis pela execução das buscas domiciliares.

De acordo com a PF, os suspeitos terão que prestar esclarecimentos sobre as transferências ilegais que receberam nas contas, assim como sobre a invasão de uma conta bancária realizada por meio de acessos ilícitos ao Internet Banking da Caixa Econômica Federal.

Os responsáveis pelos crimes deverão responder por furto qualificado pela fraude, pela participação em organização criminosa e, eventualmente, pela quebra do sigilo bancário, ocorrido quando da invasão da conta da CAIXA. As penas somadas por esses crimes podem chegar a 20 anos de prisão e multa, além da obrigação de devolver todo o dinheiro recebido indevidamente.
(Elijonas Maia)
Sábado, 17 de setembro, 2016


APESAR DAS TENTATIVAS DO GOVERNO, FITCH VÊ RISCO DE PIORA DA NOTA DO BRASIL

A agenda de política econômica do governo de Michel Temer, a trajetória de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e, principalmente, a eficácia das medidas de ajuste fiscal no País para corrigir o crescimento da dívida pública estão entre os fatores que a agência de classificação de risco Fitch Ratings vai avaliar nos próximos meses no Brasil para determinar sua nota de crédito, disse a diretora para América Latina, Shelly Shetty.

A crise política e a crise econômica levaram o Brasil a ter três rebaixamentos da nota soberana em cerca de um ano, disse a diretora na conferência anual de ratings soberanos da Fitch na quinta-feira, 15, em Nova York. “Olhando para frente, ainda vemos riscos de piora dos ratings da América Latina”, disse ela, citando além do Brasil problemas em outros países da região, como Equador, Argentina e Bolívia. Ela destacou como uma questão comum em várias economias da região a piora fiscal, com a dívida dos governos em alta, além de piora do ambiente político em vários mercados.

A América Latina está entrando em seu segundo ano de contração econômica e deve ter retração na casa de 1% este ano. Ao todo, seis países da região estão em recessão e a expectativa é que o Brasil volte a crescer em 2017, mas ainda em ritmo abaixo da tendência. “No Brasil, houve intensa contração do investimento por conta das incertezas políticas e econômicas”, afirmou Shelly.

“A capacidade de resposta da política econômica e a credibilidade das ferramentas macroeconômicas serão críticas para determinar a trajetória do rating”, disse Shelly, destacando que a análise vale não só para o Brasil, mas para outros países com situação mais complicada na América Latina. “Perspectivas de crescimento do PIB e trajetória da dívida são outros fatores.”

“Vamos olhar a agenda de política econômica de novos governos na região”, ressaltou a diretora da Fitch, citando Brasil, Argentina, Peru e República Dominicana. No caso brasileiro, Shelly destacou que um ponto que será especialmente monitorado é a eficácia do ajuste fiscal. “Vamos olhar como os desafios na política têm impacto na implementação e execução de políticas econômicas.” (AE)
Sábado, 17 de setembro, 2016

DEPOIMENTOS COLOCAM LULA NO CENTRO DO ESQUEMA DE CORRUPÇÃO

 
Desafiados a “provar” atos de corrupção do ex-presidente Lula, como se já não tivessem feito isso, os procuradores da República da força-tarefa da Operação Lava Jato anexaram à denúncia contra ele, por corrupção e lavagem de dinheiro, o depoimento do ex-deputado Pedro Corrêa (ex-PP-PE), que  revelou bastidores da organização criminosa que tomou o controle da Petrobrás. em delação premiada. Lula é citado 136 vezes em depoimentos de investigados na Lava Jato.

Nesse depoimento, sob acordo de delação premiada, Corrêa atribuiu a Lula diálogos que colocam o petista no centro do esquema de loteamento dos cargos graduados da estatal petrolífera. O relato do ex-deputado é uma das peças que a Procuradoria usa na denúncia que acusa o ex-presidente de “comandante máximo do esquema de corrupção”.

A Procuradoria também juntou à denúncia os depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, do ex-diretor de Internacional da estatal, Nestor Cerveró, e do ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT/MS).

“O controle de todo esquema criminoso por Lula ficou muito claro quando, em 2006, antes das eleições, Pedro Corrêa e José Janene (então presidente do PP e idealizador do esquema de propinas na Petrobrás) foram apresentar para Lula reivindicações de novos cargos e valores que seriam usados em benefício de campanhas políticas”, afirma o Ministério Público Federal.

Na ocasião, Lula teria negado os pleitos, segundo a delação de Pedro Corrêa. “Vocês têm uma diretoria muito importante, estão muito bem atendidos financeiramente. Paulinho tem me dito”. Paulinho, segundo a denúncia, é Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, que inaugurou a rede de propinas da estatal. Sua diretoria era controlada pelo PP de Janene.

Preso em março de 2014, Costa fechou acordo de delação premiada cinco meses depois. Segundo Pedro Corrêa, naquela reunião em 2006 Lula disse ainda que ‘Paulinho tinha deixado o partido muito bem abastecido, com dinheiro para fazer a eleição de todos os deputados’.

“Dessa forma, Lula revelou de forma explícita para Pedro Corrêa que tinha o comando da dinâmica criminosa instalada na Petrobrás e dela beneficiava diretamente”, sustentam os treze procuradores da força-tarefa.

Em um trecho de seu depoimento, Pedro Corrêa destacou. “O Governo Lula aparelhou cargos nas esferas estaduais pertencentes à União (delegacias de ministérios, etc) para a ‘companheirada do PT’. Aí foi necessário a negociação com cargos mais altos em empresas públicas para as agremiações da base aliada.”

Segundo o ex-deputado ocorreu ‘uma reunião no gabinete de José Genuíno (ex-presidente do PT), com a presença de Pedro Corrêa, Pedro Henry, Silvio Pereira e José Janene (…); José Dirceu definia; na hipótese de dissenso, o que ocorria na maioria das indicações, as definições eram feitas por Lula’.

Ao abordar a participação de Lula no preenchimento dos cargos diretivos da Petrobrás, Pedro Corrêa informou. “Antes da reeleição de 2006, o colaborador Pedro Corrêa foi procurar Lula, juntamente com Janene. Ambos entraram pela garagem do Planalto, para pedir dinheiro para a campanha do PP. Lula se esquivou, dizendo que não tinha obrigação de ajudar, pois ‘Paulinho tinha deixado o partido muito bem abastecido, com dinheiro para fazer a eleição de todos os deputados’.

“Em reunião com a bancada do PP no Palácio do Planalto, o presidente Lula também disse que o PP estava bem atendido com os cargos que tinham.”

Sábado, 17 de setembro, 2016

PROCURADORES REPUDIAM DETURPAÇÃO DE FALAS DA FORÇA TAREFA DA LAVA JATO

 
A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou uma nota de repúdio sobre a deturpação de alguns dos esclarecimentos prestados pelos procuradores da República na Operação Lava Jato em entrevista coletiva concedida na quarta-feira (14). Frases como "não temos provas, mas temos convicção" foram disseminadas na internet, mas não foram ditas pelos investigadores.

"Cumprindo legitimamente o dever e o direito de informar a população, a força tarefa Lava Jato tão somente apresentou a acusação contra o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, dentre outros, como o fez em já numerosas outras ocasiões, sempre nos momentos nodais dos processos, nos quais impõe-se o esclarecimento à opinião pública", disse a nota, assinada pelo procurador regional José Robalinho Cavalcanti, presidente da ANPR.

Segundo os procuradores, "é sob o olhar de seu povo que se constrói um país realmente democrático. E para isso a liberdade de imprensa, o amplo acesso às informações e o livre debate público são essenciais. Entretanto, nesse contexto, não se configura legítima qualquer manipulação ou deturpação de frases ditas no exercício do dever de esclarecimento à população. Os procuradores da República foram didáticos e extensivos em sua exposição precisamente para que o entendimento da população sobre a denúncia fosse completo, podendo a partir daí terem o conhecimento para exercerem a cidadania e o senso crítico. Configura-se em discurso político e/ou em estratégia de defesa, sem compromisso com a verdade, deturpar falas dos Procuradores da República nesta ocasião".

De acordo com Cavalcanti, nenhuma verdade pode ser construída pela edição de frases e repetição de uma mentira. "A convicção da força tarefa fundamenta-se em provas robustas reunidas em investigações sérias. Em mais de dois anos, atuaram na operação – sob as vistas e aplausos de todo o país – mais de 300 agentes públicos de diversos órgãos, especialmente do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e da Receita Federal, todos idôneos e sem qualquer vinculação partidária."

O texto ainda diz que MPF, por seus 13 procuradores da República que assinam a acusação, apenas cumpriu sua obrigação constitucional. Em especial no que se refere ao crime de organização criminosa, é juridicamente correta – e necessária – a contextualização realizada na acusação, pois teve como objetivo ressaltar todas as provas levantadas, historicamente organizadas, de que Lula seria responsável pelos sete crimes de corrupção passiva e 64 crimes de lavagem de dinheiro descritos na denúncia.

"A força tarefa apresentou as provas de autoria dos crimes que apontam, neste caso, para o pagamento de propina de mais de R$ 87 milhões pela empreiteira OAS a diversas pessoas e partidos. A corrupção política, com o poder econômico dela decorrente, deturpa a democracia pela subversão da necessária igualdade de oportunidade entre todos os atores políticos".

A nota de repúdio encerra afirmando que "o trabalho desenvolvido pelos procuradores na Operação Lava Jato é profissional e republicano, além de submetido à contínua observância do devido processo legal e sob supervisão do Poder Judiciário".

Sábado, 17 de setembro, 2016

LULA AUMENTOU SEU PATRIMÔNIO EM 360% APÓS SEGUNDO MANDATO

 
O patrimônio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou 360%, em valores nominais, depois do fim de seu segundo mandato como presidente da República, em 2010, com a renda obtida com sua empresa de palestras, a L.I.L.S. As informações, segundo a edição de sexta-feira(16) do jornal Folha de S. Paulo, foram prestadas pelo petista nas declarações de Imposto de Renda que integram a denúncia apresentada contra ele na última quarta-feira, no âmbito da Operação Lava Jato.

De acordo com o documento, Lula tinha patrimônio de 1,9 milhão de reais até 31 de dezembro de 2010. Em 2015, o valor total de seus bens era de aproximadamente 8,8 milhões de reais – aumento de 6,9 milhões de reais. A evolução patrimonial teve lastro em renda obtida com a L.I.L.S., empresa de palestras de Lula, criada depois que ele encerrou seus dois mandatos na Presidência.
O ex-presidente disse aos investigadores que cobrava “exatamente 200.000 dólares, nem mais e nem menos” por todas as palestras. O preço era o mesmo do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton.

Entre 2011 e 2015, a L.I.L.S. distribuiu lucros e dividendos de 8,5 milhões de reais para Lula. Nesse mesmo período, o ex-presidente deu cerca de setenta palestras no Brasil e no exterior, conforme ele mesmo disse as autoridades da Policia Federal. A maior transferência de valor para Lula ocorreu em 2014, no total de 5,6 milhões de reais. Naquele mesmo ano, em novembro, foi deflagrada a fase mais ostensiva da Operação Lava Jato.

De acordo com a PF, a empresa de palestras de Lula recebeu 21 milhões de reais entre 2011 e 2015. Desse total, 9,9 milhões de reais foram pagos por empreiteiras investigadas na Lava Jato.

À Folha, o advogado de Lula, o Cristiano Zanin Martins, afirmou que as atividades da L.I.L.S. são “absolutamente lícitas, lastreadas em palestras devidamente documentadas e de conhecimento geral”.
Sábado, 17 de setembro, 2016

'OU ABRAÇO O PMDB OU MORRO', DISSE LULA PARA EVITAR IMPEACHMENT NO MENSALÃO

Em depoimento gravado na investigação da Operação Lava Jato sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o delator e ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT-sem partido-MS) contou como se deu o início da parceria PT-PMDB no governo federal. Segundo Delcídio, durante o Mensalão, Lula ‘abraçou’ o PMDB para evitar o risco de sofrer seu próprio impeachment.

O ex-senador declarou que no início da gestão Lula, o governo era ‘muito hermético’ e ligado aos partidos que tinham levado o petista à Presidência.

“Quando sobreveio o Mensalão, ele (Lula) percebe que ele se arruma ou ele poderia ser impichado, inclusive. Uma tese que era defendida desde o início do governo pelo ex-ministro José Dirceu (era) que o PMDB deveria participar ativamente da base do governo. O próprio José Dirceu trabalhou nisso. Quando o José Dirceu foi levar essa aliança para o Lula já combinado com o PMDB, o Lula não topou. Aí veio o Mensalão”, contou Delcídio.

À Procuradoria da República, o ex-senador relatou. “Quando veio o Mensalão, o Lula fez uma revisão das posições que ele vinha assumindo. Dizendo assim: ou eu abraço o PMDB ou eu vou morrer. Quando aí o PMDB veio fortemente para o governo. Estabeleceu tentáculos em toda a estrutura de governo. Não foi só na Petrobrás, não. Assumiu Ministério de Minas e Energia, Eletrobrás, o setor elétrico, que nos governos anteriores era feudo do PFL, passou a ser feudo do PMDB.”

O Ministério Público Federal questionou Delcídio Amaral se ‘houve um acordo para poupar o presidente Lula do impeachment?’ e se ‘havia essa possibilidade?’

“Havia essa possibilidade”, Delcídio responde. “Ali havia um risco muito grande de ele ser impichado.”

Delcídio relatou ainda a retirada dos nomes do ex-presidente Lula, e de seu filho Lulinha, do relatório final da CPI dos Correios.

“Na reta final, existia o relatório que estava sendo preparado propunha, entre outras coisas, o indiciamento do presidente Lula e de um dos filhos dele. Acho que é o filho mais velho, o Lulinha por causa da questão da Gamecorp com a antiga Telemar se eu não estou enganado. Dentro de uma composição que foi feita, na véspera da votação do relatório, esse indiciamento… Esse tira e põe faz parte do dia a dia do Congresso. Não é uma coisa específica só da CPI dos Correios”, declarou.

“Isso acontece no dia a dia em outras CPIS. Em sessões das Comissões de Fiscalização e Controle e que acompanha conta de governo. Não é uma coisa excepcional. Independentemente do acordo que foi feito para qu8e a gente concluísse a CPI e com resultado, porque havia um risco muito grande de a gente perder o controle do processo e perder um trabalho de onze meses, um trabalho forte, foi feito um acordo. Os indícios e a documentação que a CPI levantou, um eventual impeachment do presidente Lula não terminaria ali. Ele poderia continuar, porque nós fizemos um trabalho forte, nós rastreamos dinheiro desde que saiu do Banco do Brasil, quando foi para as empresas do Marcos Valério. Depois quando sai das empresas do Marcos Valério e vai irrigar as contas do partido. Tudo isso estava rastreado. Existia uma operação forte comandada pelo próprio Marcos Valério, que era uma espécie de braço armado do próprio Delúbio (Soares) para alimentar as estruturas partidárias. Mesmo tendo havido um acordo que passou por todo mundo, pelo menos pelos principais líderes na CPI, existiam argumentos suficientes para dar continuidade a um processo de afastamento.” (AE)

Sábado, 17 de setembro, 2016








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