Da
boca para fora, pelo menos, não vai mudar nada na política econômica. Mesmo
"fazer o que for preciso para retomar o crescimento", como recomendou
ontem a presidente a seus novos ministros, é um mandamento sujeito à restrição
de não haver "guinadas" ou "mudanças bruscas".
A
presidente ou quem escreve seus maus discursos talvez imagine que essa conversa
"responsável" ainda esteja na moda. A economia do Brasil precisa,
sim, de "mudança brusca" e "guinada", desde que não seja na
direção da pirambeira "desenvolvimentista".
A
cautela pode ter sido só falta de assunto, claro, pois os ministros foram
nomeados na sexta. Talvez seja ainda sinal de que por ora não há tempo ou energia
política para fazer algo além do "feijão com arroz". Mas é difícil
acreditar que Dilma e Nelson Barbosa, novo ministro da Fazenda, não venham
querer juntar um torresmo, um ovo, quiçá um bife, talvez uma cabeça de porco,
nesse prato.
Rumores
de besteira não faltam, do Planalto à liderança do governo na Câmara. Não
parece coisa de Barbosa. Mas parece coisa do governismo e do petismo que quer
"virada responsável à esquerda".
Barbosa
não disse nada impressionante na sua conversa com economistas e uns executivos
da finança, no começo da tarde de ontem. Parecia que tinha acabado de vestir um
terno novinho, bem cortado e convencional, que não queria amassar: gestos e
palavras medidos e óbvios, no roteiro. Tal como nas entrevistas que deu no
final de semana.
A
reforma maior que mencionou, o aumento da idade mínima necessária para a
aposentadoria, não é, claro, novidade. Foi assunto e retardada o ano inteiro. O
próprio Barbosa havia dito que projeto de reforma estaria pronto em novembro.
A
presidente não disse nada de impressionante no discurso com que deu posse a
Barbosa e ao novo ministro do Planejamento, Valdir Simão. Pelo menos, não disse
disparates maiores, como de costume.
Dilma
Rousseff apenas começou por dizer que nomear dois chefes novos para a política
econômica "não altera os objetivos de curto prazo": restabelecer o
equilíbrio fiscal, diminuir a inflação e retomar com "urgência" o
crescimento, obviamente objetivos incompatíveis no curto prazo, mas passemos.
Após
lembrar alguns planos razoáveis que sobraram de seu programa econômico de
janeiro, Dilma encerrou o discurso quase como começou. As três tarefas de
Barbosa e Simão são perseguir "metas realistas e factíveis", impedir
que a dívida pública cresça e "fazer o que for preciso para retomar o
crescimento sem guinadas e sem mudanças bruscas, atuando neste ambiente de
estabilidade, previsibilidade e flexibilidade".
A
cautela de presidente e ministros novos significa mesmo que teremos
"feijão com arroz"? Isto é, remendos no rombo das contas do governo,
diminuir um pouco a inflação, fazer uma metade de meia dúzia de concessões etc.
—a recessão assim segue seu caminho, sem desastre adicional, apenas na batida
da ruína gradual que seguramente assim teríamos até 2018.
Ou
em janeiro será elaborado o Plano Barbosa? Até março, não passa quase nada no
Congresso. Em março, o Brasil estará acordando com muito mais mau humor social.
"É tarde, é tarde, é tarde."
(Vinicius
Torres Freire)
Terça-feira,
22, dezembro, 2015
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