Liberdade de expressão

“É fácil submeter povos livres: basta retirar – lhes o direito de expressão”. Marechal Manoel Luís Osório, Marquês do Erval -15 de abril de 1866

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12 agosto, 2015

A FRENTE NADA AMPLA “FICA DILMA” – PRESIDENTE JANTA COM 5 MINISTROS DO STF, JANOT E PRESIDENTES DE OUTROS TRIBUNAIS E DA OAB



Estou preocupado com a silhueta de Dilma Rousseff. Vai voltar a engordar já, já. No dia 3, ela ofereceu um churrasco a presidentes e lideranças dos partidos aliados no Palácio da Alvorada. Na segunda, recebeu 43 senadores da base e 21 ministros. Nesta terça, foi a vez de juntar num convescote, atenção!, cinco titulares do Supremo — Ricardo Lewandowski (presidente), Dias Toffoli (que preside o TSE), Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin —, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot (olhem ele aí…); os presidentes dos demais tribunais superiores; o vice presidente Michel Temer; os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) e o presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho.

O pretexto do convescote? Comemorar o Dia do Advogado e a criação dos primeiros cursos jurídicos no país. Alguém acreditou nisso? Nem os gramados de Brasília. Essa gente brinca com fogo.

Aliás, a iniciativa não escapou à observação ferina do ministro Marco Aurélio, um dos seis ausentes do Supremo. Indagado se achava submissão ministro do STF em eventos assim, ele respondeu: “[Submissão] é a leitura que o leigo faz. Nós não ficamos submissos por aceitarmos o convite da presidente da República, mas aquele a quem devemos contas, que são os cidadãos, veem de outra forma, veem como se fosse algo em termos de cooptação. E isso não é bom, principalmente nesta época de crise”.

Em quatro dias, Dilma se encontrou com Janot duas vezes: no sábado, na conversa que mantiveram, ela anunciou que iria indicá-lo para mais dois anos à frente do Ministério Público — o que depende agora do Senado do neoestadista Renan Calheiros. A petista fez a indicação oficial nesta terça, quando tiverem novo teretetê. Acabam ficando íntimos. Ainda será o início de uma bela amizade, como o policial Louis e Rick, em Casablanca.

No jantar, ora vejam, Dilma falou sobre a importância de manter a harmonia entre os Poderes. Não citou Montesquieu, mas tenho a certeza de que a tentação lhe ficou na ponta da língua. Na sua vez de discursar, Ricardo Lewandowski, o presidente do Supremo, falou sobre a necessidade de se investir na estabilidade e de se ter compromisso com a legitimidade do mandato. Dilma fez um aceno com a cabeça, deixando claro que endossava a palavra do notável magistrado.

A presidente teve inúmeras outras oportunidades de fazer uma reunião assim. E nada! Agora, decide juntar à mesa o presidente de um tribunal que pode cassar a sua eleição; o presidente de outro, que pode cassar o seu mandato; o procurador-geral, que pode, se quiser, denunciá-la — sei que ele não fará isso, é claro! Nunca apostei que faria, como vocês sabem…

E, para coroar estes tempos viciosos, lá estava o presidente da OAB… Que coisa, né? Em 1992, o então presidente da Ordem, Marcello Lavenère, fez história assinando, em companhia de Barbosa Lima Sobrinho, a denúncia que resultou no afastamento de Collor. Em 2015, o presidente da Ordem se dedica a rapapés.

Convenham: as lambanças do governo Collor, em confronto com o que se tem aí, são  coisas de amadores prepotentes. Mas vocês sabem… Naqueles dias, os esquerdistas não davam muita bola para esse papo de, como é mesmo, Lewandowski?, “legitimidade do voto”. Foram descobrir isso bem mais tarde.

Essa gente não sabe que há hoje um Brasil que não dá a menor bola para os convescotes de Brasília. Ao contrário: esse tipo de arranjo só ajuda a botar ainda mais gente na rua.

Por Reinaldo Azevedo

Quarta-feira, 12 de agosto, 2015

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