A presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, afirmou na noite desta segunda-feira (17)
que os processos relacionados à Operação Lava Jato que estão na Corte devem ser
analisados de forma mais ágil do que o processo do Mensalão, concluído em 2012.
Segundo a ministra, isso será possível
pela distribuição das denúncias da Lava Jato em diversos inquéritos, diferente
da Ação Penal 470 (mensalão), estava unificada em um processo.
"Provavelmente a agilidade vai ser muito maior do que aquela experiência.
Igual não vai ser, até porque o julgamento do Supremo exige instrução, busca da
verdade e solução sem possibilidade que há em relação a recursos",
destacou.
A ministra destacou a celeridade da
Lava Jato na Justiça Federal em Curitiba, sob a liderança de Sérgio Moro, e
disse que isso é fruto da gravidade do que está sendo julgado e do fato de um
juiz e procuradores estarem exclusivamente dedicados ao tema, diferentemente do
que acontece com outros processos no País.
Ela relativizou as críticas que a
operação vem recebendo quanto a uma eventual espetacularização da força-tarefa
que investiga os casos de corrupção envolvendo a Petrobras. "Sempre é
preciso mostrar. Isso não significa que precisa exibir desta ou daquela forma,
o que não pode é deixar de ser mostrado, nunca", declarou.
Cármen Lúcia afirmou que o que
legitima a Lava Jato não é a forma de exibir as denúncias e os fatos
investigados. "O que legitima é o que está sendo mostrado, que é descobrir
alguma coisa que não pode ser aceita, como casos gravíssimos de
corrupção." (AE)
Terça-feira, 18 de outubro, 2016
LULA ASSINA
ARTIGO EM QUE SE DIZ VÍTIMA DE 'CAÇADA JUDICIAL'
O ex-presidente da República Luiz
Inácio Lula da Silva se considera vítima de “uma verdadeira caçada judicial”.
Em artigo que ele assina. Publicado terça-feira(18), no jornal Folha de
S.Paulo, o petista alega que em 40 anos de atuação pública, seus adversários e
a imprensa “jamais encontraram um ato desonesto” de sua parte. E às
vésperas de completar 71 anos (no dia 27 de outubro), diz ver o seu nome “no
centro de uma verdadeira caçada judicial”. Na segunda-feira, 17,
manifestantes em defesa do ex-presidente fizeram vigília em frente à casa dele,
em São Bernardo, após informação circulada nas redes sociais sobre suposta
prisão de Lula.
Sem citar o juiz Sérgio Moro, que
conduz as investigações da Operação Lava Jato, Lula cita que devastaram suas
contas pessoais, as de sua esposa e filhos, grampearam seus telefonemas,
invadiram sua casa e o conduziram à força para depor, sem motivo razoável ou
base legal. “Estão à procura de um crime para me acusar, mas não encontraram e
nem vão encontrar”, destaca no artigo.
O ex-presidente diz que “essa caçada”
começou na campanha presidencial de 2014 e, mesmo assim, não desistiu de
continuar percorrendo o País e nem desistiu da luta por igualdade e justiça
social. Ele cita conquistas das gestões petistas, como o Bolsa Família, o Luz
para Todos, o Minha Casa Minha Vida e o acesso de jovens pobres e negros ao
ensino superior. O ex-presidente argumenta que não pode se calar diante “dos
abusos cometidos pelos agentes do Estado que usam a lei como instrumento de
perseguição política”. Para o petista, “episódios espetaculosos”, como as
prisões de seus ex-ministros Antonio Palocci e Guido Mantega (solto horas
depois da detenção), interferiram no resultado das eleições municipais do
primeiro turno.
Em sua defesa, Lula afirma que jamais
praticou, autorizou ou se beneficiou de atos ilícitos na Petrobras ou em
qualquer outro setor do governo. E critica a classificação, segundo ele
martelada pela mídia, de que o Partido dos Trabalhadores é uma organização
criminosa. E informa que em dois anos de investigações, não foi encontrado
“nenhum centavo não declarado” em suas contas, nenhuma empresa de fachada e
nenhuma conta secreta. “Moro há 20 anos no mesmo apartamento em São Bernardo”,
emendou.
No artigo, o petista alega que “há uma
perigosa ignorância” dos agentes da lei quanto ao funcionamento do governo e
das instituições, como o Parlamento. E destaca que causa indignação e
surpreende “a leviandade, a desproporção e a falta de base legal das
denúncias”. “Não mais se importam com fatos, provas, normas do processo.
Denunciam e processam por mera convicção.” E reitera que não pode ser acusado
de corrupção, já que não é mais agente público desde 2011.
Lula afirma ainda que seus acusadores
sabem que ele não roubou, não foi corrompido nem tentou obstruir a Justiça.
“Mas não podem admitir, não podem recuar depois do massacre que promoveram na
mídia”. E continua: “Tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram, na
maioria das vezes a partir de reportagens facciosas e mal apuradas. Estão condenados
a condenar e devem avaliar que, se não me prenderem, serão eles os
desmoralizados perante a opinião pública.” Segundo ele, “não é o Lula que
pretendem condenar”, mas sim o projeto político que representa junto com
milhões de brasileiros e a democracia brasileira.
No final do artigo, o ex-presidente
diz que ele e o PT apoiam as investigações, o julgamento e a punição de quem
desvia dinheiro público, reiterando que ninguém atuou tanto quanto os governos
petistas para criar mecanismos de controle de verbas públicas, transparência e
investigação. E cita ter a consciência tranquila e o reconhecimento do povo.
“Confio que cedo ou tarde a Justiça e a verdade prevalecerão, nem que seja nos
livros de história”, diz Lula, argumentando que o que mais lhe preocupa no
momento “são as contínuas violações ao Estado de Direito”, como a “sombra do
estado de exceção que vem se erguendo sobre o País.”
Terça-feira, 18 de outubro, 2016
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