Liberdade de expressão

“É fácil submeter povos livres: basta retirar – lhes o direito de expressão”. Marechal Manoel Luís Osório, Marquês do Erval -15 de abril de 1866

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21 fevereiro, 2017

FAZENDA QUER ANULAR JULGAMENTOS NO CARF QUE SOMAM MULTAS DE R$ 30 BILHÕES




A corregedoria do Ministério da Fazenda pedirá a anulação de todos os julgamentos feitos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) em que houve irregularidade na atuação dos conselheiros investigados na Operação Zelotes. Quase dois anos depois de a operação revelar um esquema de pagamento de propinas no conselho, a corregedoria já pediu ao Carf a anulação de quatro processos.

O órgão informou que entrará com representação de nulidade em todos os processos nos quais houver indícios de irregularidade na atuação de conselheiros, depois de concluída a investigação. O Carf é a última instância administrativa para se recorrer de uma multa aplicada pela Receita Federal. O conselho é formado por representantes da Fazenda e dos contribuintes.

Já foram feitas à Justiça 15 denúncias pelo Ministério Público Federal na Operação Zelotes em processos em que as autuações da Receita Federal somam pelo menos R$ 30 bilhões. A corregedoria é parte da força-tarefa da operação e a tendência é de que seja pedida nulidade nos processos já denunciados pelos procuradores, o que levaria a um novo julgamento dos casos.

Cervejaria

Apenas um dos pedidos de anulação feito pela Fazenda ao Carf foi julgado – e negado. O processo envolvia uma autuação do empresário Walter Farias, dono da Cervejaria Petrópolis, no valor de R$ 8,6 milhões, e há suspeita de pagamento de propina a conselheiros para reduzir a multa. A assessoria do empresário informou que o processo contra ele foi arquivado na Justiça Federal e continua apenas contra outras partes.

O pedido de anulação foi analisado por uma turma ordinária do Carf, que entendeu não haver ainda provas suficientes, já que não houve decisão judicial, apenas a denúncia do Ministério Público Federal. A Procuradoria da Fazenda informou que recorrerá à câmara superior do conselho, que é quem dará a última palavra.

O presidente do Carf, Carlos Alberto Barreto, disse que cada pedido será analisado de forma diferente e individual pelo órgão e que, dependendo das provas, algumas turmas poderão decidir pela nulidade e outras não. Ele espera receber pedidos de anulação em todos os processos em que as investigações foram concluídas pelo Ministério Público Federal e acredita que as denúncias vão além das 15 já apresentadas.

Barreto minimizou, porém, o impacto dos “rejulgamentos” no dia a dia do conselho. “É um número pequeno diante da quantidade de processos que o Carf julga”, ponderou.

Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cláudio Lamachia, os julgamentos do Carf devem ser anulados se houver condenação transitada em julgado, quando não cabe mais recurso. “Um ato viciado por corrupção não pode prevalecer. Será preciso recomeçar do zero os casos onde isso for provado. Agora, a mera suspeita ou uma acusação não bastam”, afirmou.

Tanto a corregedoria quanto o Carf alegam que os processos são sigilosos e não informaram em quais processos foram feitas representações para anular os julgamentos. (AE)

Quarta-feira, 21 de fevereiro de 2017 ás 09hs40

20 fevereiro, 2017

EUNÍCIO TENTA DESCOLAR SUA IMAGEM DE RENAN E DE OUTROS CACIQUES DO PMDB




O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), tenta descolar sua imagem da do seu antecessor, Renan Calheiros (PMDB-AL), e de outros caciques peemedebistas da Casa que são investigados na Operação Lava Jato, como o líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Edison Lobão (PMDB-MA).

Na quinta-feira passada, Eunício despachou de volta para a Câmara o projeto 10 Medidas Contra a Corrupção, que foi aprovado pelos deputados com alterações. Depois de seguir para o Senado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux determinou, em dezembro, a devolução do pacote para a Câmara, mas a decisão foi ignorada por Renan, então presidente do Senado. Em conversas reservadas, Eunício teria dito que não teria a mesma postura de enfrentamento com o Judiciário de seu antecessor.

Linha sucessória

No dia anterior, Eunício já havia atuado como “conciliador” em uma polêmica criada pelo colega de bancada Romero Jucá. Foi ele quem pediu a Jucá para retirar de tramitação a proposta de emenda à Constituição (PEC) que blindava todos os membros da linha sucessória de serem investigados pela Justiça por atos cometidos antes do mandato. A proposta beneficiaria diretamente os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado.

Eunício alegou desconhecer o projeto e, após repercussão negativa, foi ao gabinete de Jucá pedir que ele retirasse a proposta. “Fui pessoalmente conversar com ele. Fiz um apelo para que retirasse e ele já retirou, não consta mais no sistema”, afirmou o presidente do Senado na ocasião. O receio do peemedebista era de que a opinião pública se voltasse contra ele, que seria beneficiado pelo projeto. “Não poderia fazer tramitar essa proposta, ia parecer que eu estava legislando em causa própria.”

Eunício, que não é investigado, foi citado na Lava Jato. Uma eventual aprovação do projeto impediria o STF de abrir um inquérito contra ele. Maia também teve o nome mencionado no âmbito da operação.

Em outra ocasião, Eunício também se distanciou da articulação para antecipar a sabatina do ministro licenciado da Justiça, Alexandre de Moraes, indicado para o cargo de ministro do Supremo. Enquanto Jucá e Renan operavam na CCJ para acelerar o processo, Eunício afirmava que não via razão para antecipar os questionamentos a Moraes. Jucá e Renan acabaram vencidos. A sabatina do ministro licenciado está marcada para esta terça-feira, 21.

Novamente em lados opostos, Eunício e Renan divergiram sobre a distribuição de comissões. Eunício passou as duas primeiras semanas insistindo que os líderes acertassem as presidências dos colegiados com base na proporcionalidade. Ele chegou a alfinetar o ex-presidente da Casa. “Esse não será o Senado da Agenda Brasil nem da pauta do presidente, será o Senado das comissões”, afirmou Eunício, em referência à pauta que Renan tentou aprovar durante seu mandato.

Apesar de tentar buscar uma imagem de “independência” de seus correligionários implicados na Lava Jato, o presidente do Senado, que está no primeiro mandato, sempre foi próximo dos caciques do PMDB. Mesmo com as divergências dos últimos dias, interlocutores afirmam que Eunício trabalha em conjunto com Renan e Jucá.

“Renan é muito forte e Eunício é muito forte. Renan só é líder e Eunício só é presidente porque jogam juntos. Essa divisão está na cabeça de vocês”, disse Lobão ao ser questionado sobre a tentativa de distanciamento do presidente da Casa. (AE)

Segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017 ás 09hs45