Liberdade de expressão

“É fácil submeter povos livres: basta retirar – lhes o direito de expressão”. Marechal Manoel Luís Osório, Marquês do Erval -15 de abril de 1866

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22 dezembro, 2021

ELE GASTA BILHÕES PARA TENTAR SALVAR A REELEIÇÃO

Com projeto de reeleição ameaçado, Bolsonaro prepara pacote eleitoral de mais de R$ 90 bilhões para turbinar agenda populista, com novos programas de financiamento a aliados e linhas de crédito para população carente

 

Com a popularidade em queda nas pesquisas, o presidente Jair Bolsonaro prepara um pacote de medidas populistas para tentar salvar sua reeleição. O preço será amargo e vai ser pago por todos os brasileiros: custará mais de R$ 90 bilhões aos cofres públicos – valor que seria suficiente para cobrir o rombo de R$ 42 bilhões previstos para as contas da União em 2022. A estratégia prevê novos benefícios aos mais pobres, como o Auxílio Brasil e o vale gás, linhas de créditos e reajustes salariais para categorias aliadas do Planalto, com uso político dos bancos públicos.

 

O Planalto quer usar o Fundo de Garantia dos Trabalhadores (FGTS) para financiar um novo plano de microcrédito da Caixa Econômica Federal e ajudar pessoas com o nome sujo no SPC e no Serasa. Serão cerca de R$ 13 bilhões do fundo, patrimônio dos trabalhadores e principal financiador da habitação no País, remanejados para garantir empréstimos de até R$ 4 mil a cerca de 20 milhões de pequenos empreendedores com o nome negativado. O Centrão, no entanto, quer mais: tenta cavar R$ 30 bilhões no Orçamento para ampliar o número de beneficiados.

 

“O governo Bolsonaro é populista desde o seu início. As linhas de crédito dos bancos públicos têm ligação com a base do presidente no Congresso. Lá na ponta, o financiamento tem impacto direto no deputado federal. Isso será usado para fazer marketing do governo na campanha”, afirma Paulo Baia, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Bolsonaro escalou o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, para recuperar a imagem do governo no Nordeste, onde o mandatário perde força dia após dia. A Caixa ampliou a atuação na região e aumentou a fatia de operação de crédito para os nordestinos. O banco também tenta viabilizar crédito e perdão de devedores que estão inadimplentes no Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), programa que libera empréstimos a estudantes de escolas particulares.

 

Bolsonaro anunciou ainda que vai usar a Caixa para dar privilégios a policiais. Uma linha de crédito imobiliário especial concederá R$ 100 milhões para que profissionais da segurança pública possam financiar imóveis. O Banco do Brasil também destinará R$ 10,5 bilhões para o financiamento rural, com o objetivo de ajudar grandes produtores do agronegócio. “Bolsonaro demorou demais para fazer isso. Faltou competência e criatividade. Agora só pensa em 2022 porque está caindo nas pesquisas”, disse o deputado Fausto Pinato, deputado federal do (PP-SP), partido do Centrão.

 

*IstoÉ

Quarta-feira, 22 de dezembro 2021 às 18:19

 


21 dezembro, 2021

PF ABRE INQUÉRITO PARA APURAR AMEAÇAS A INTEGRANTES DA ANVISA


A Polícia Federal começou a investigar as ameaças recentes a servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os ataques se intensificaram depois que o órgão deu aval para a imunização de crianças a partir de 5 anos com a vacina da Pfizer.

 

A própria agência denunciou a escalada de ameaças e pediu proteção policial para os técnicos e seus familiares. Ofícios foram disparados ao Ministério da Justiça, Gabinete de Segurança Institucional, Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal.

 

Mais cedo, o procurador-geral da República, Augusto Aras, também disse que adotou providências para atender o pedido. A informação conta em documento enviado ao presidente da agência, Antonio Barra Torres.

 

A Anvisa vem sendo atacada desde o início da pandemia por causa das medidas sugeridas para o enfrentamento da crise sanitária. Os ataques recentes vieram na esteira da reação do presidente (Irresponsável) Jair Bolsonaro (PL) ao sinal verde para a vacinação de crianças. Ele disse que divulgaria os nomes dos responsáveis pela aprovação da imunização infantil contra a covid-19.

 

Após a declaração do Irresponsável, a Anvisa disse ‘repudiar com veemência’ ameaças a funcionários do corpo técnico do órgão. Ao pedir a responsabilização pelas tentativas de intimidação, a agência disse que os diretores foram ‘surpreendidos com publicações nas mídias sociais na ‘internet’ de ameaças, intimidações e ofensas’.

 

“Esses fatos aumentaram a preocupação e o receio dos diretores e servidores quanto à sua integridade física e de suas famílias e geraram evidente apreensão de que atos de violência possam ocorrer a qualquer momento”, afirma o texto.

 

A PF já tem um inquérito em curso sobre ameaças de morte recebidas pelos funcionários da agência para que a vacinação contra a covid-19 em crianças não fosse autorizada. 

 

(!!!) Vale lembrar que ninguém acredita que alguém vá ser punido pela ameaça enquanto não morrer alguém.  

 

*Com Estadão Conteúdo

Terça-feira, 21 de dezembro 2021 às 10:41


 

20 dezembro, 2021

MÉDICOS SEM FRONTEIRAS CELEBRA 50 ANOS COM ATUAÇÃO NA LINHA DE FRENTE CONTRA COVID-19

 

Entidade criada na França por médicos e jornalistas chegou ao Brasil em 1991 para ajudar a conter epidemia de cólera. Hoje se destaca na luta contra a pandemia causada pelo novo coronavírus.” Apesar de estarmos completando 50 anos, não consideramos de forma alguma que isso é algo que devemos celebrar. Gostaríamos que não existisse a necessidade de nossa atuação comunitária. Trabalhamos para que não sejamos mais necessários no mundo.”

 

A frase, dita pela psicóloga Renata Santos, presidente do conselho da Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Brasil, ilustra bem a vocação dessa organização. Fundada na França em 20 de dezembro de 1971 — por médicos e jornalistas que haviam atuado como voluntários na guerra civil na Nigéria na década anterior —, a entidade esteve envolvida em todas as grandes tragédias humanitárias das últimas cinco décadas.

 

Nesse portfólio somam-se atuações em guerras e outros conflitos armados, em desastres ambientais, epidemias, como HIV e ebola, e durante o fluxo migratório que deixou milhares de refugiados desamparados pelo mundo.

 

No Brasil, o primeiro projeto que contou com o envolvimento da MSF foi em 1991, no combate a uma epidemia de cólera na região Norte. Equipes da organização se incumbiram de treinar médicos, enfermeiros e agentes de saúde locais para que estes conseguissem atender melhor aos casos da doença. Comunidades indígenas e outros grupos mais vulneráveis passaram, desde então, a receber atenção especial da entidade.

 

 

Desde a chegada da pandemia de covid-19 ao Brasil, esta tem sido a principal frente de atuação da organização. A enfermeira Jamila Fabiana de Oliveira Costa havia acabado de ser contratada quando foi destacada para o trabalho de campo junto aos moradores de rua de São Paulo.

 

“Era o comecinho da pandemia, abril de 2020. Naquele momento fazíamos a testagem e o monitoramento dos sintomas da população em situação de rua. Ainda não havia muita habilidade sobre o manejo clínico da doença”, recorda ela, que diz estar vivendo covid-19 “24 horas por dia” desde então.

 

Com a disseminação da nova doença pelo país, os profissionais da MSF passaram a montar UTIs em hospitais e a atuar em novas frentes. Logo, a enfermeira foi destacada para viajar pelo país. Rondônia, Amazonas, Ceará e Bahia foram estados onde ela atuou, sempre na linha de frente do combate ao coronavírus.

 

Ela conta que o que mais a marcou foi o trabalho junto a comunidades indígenas, mais vulneráveis à nova doença. “Em São Gabriel da Cachoeira [município do Estado do Amazonas], nossa preocupação foi adaptar a assistência para criar vínculos com a comunidade indígena, respeitando sua cultura, sua individualidade”, recorda.

 

Um exemplo foi entender que as “garrafadas”, bebidas feitas com diversas plantas medicinais, como têm papel importante para essas comunidades, precisavam ser permitidas durante o tratamento. “Porque para eles isso faz parte de uma cura pela espiritualidade. Desde que não prejudicasse o tratamento em si, foram liberadas”, conta a enfermeira.

 

Mas se uma pandemia fez com que o primeiro trabalho de Costa fosse em território nacional, é comum que profissionais da MSF sejam deslocados para bem longe.

 

O engenheiro Fábio Biolchini Duarte, por exemplo, aproximou-se da organização em 2012, quando ele estava trabalhando, por meio de uma mineradora brasileira, na Guiné-Conacri e se deparou com um projeto da MSF. “Ali entendi que era a minha vocação. Que fazia mais sentido para minha índole ficar mais perto dessa turma do que no setor privado”, lembra.

 

Ele pleiteou uma vaga e, no ano seguinte, estava trabalhando para a Médicos Sem Fronteiras. Atuou no Haiti, na Turquia, na República Centro-Africana, no Congo, no Paquistão e na Serra Leoa. Como engenheiro, ele acabou assumindo uma posição de coordenação, desenhando e gerindo as tarefas que precisam ser implementadas.

 

“Nesse tempo, atuei em trabalhos de diversos contextos diferentes, epidemias, guerra civil, tragédias naturais”, recorda. Duarte diz que a missão mais marcante foi atuar durante a guerra civil na República Centro-Africana, com “os civis matando uns aos outros em um conflito que inicialmente era político e, depois, passou a ser religioso”. Ele conta que perdeu 14 quilos nos nove meses em que trabalhou por lá.

 

Designado para atuar na contenção da covid-19 no Brasil, Duarte avalia que a sensação foi emocionalmente diferente. “Quando saímos e vamos para outro lugar, há sempre aquele conforto de pensar que a nossa casa, a nossa família não está afetada pela crise em que estamos. Com a covid-19 foi diferente: a doença chegou ao Brasil e foi arrasadora. Eu nunca tinha visto tanto cadáver em minha vida”, comenta. “E em um país que não é dos piores em termos de estabilidade política, relativamente rico em comparação com os africanos. Mesmo assim, foi uma calamidade.”

 

“Essa sensação de perda de segurança foi muito abalam-te para mim e para muitos colegas”, afirma.

 

Em 1999, a Médicos Sem Fronteiras foi reconhecida com o Prêmio Nobel da Paz. A diretora-executiva de MSF-Brasil, Ana de Lemos, diz que ser parte da organização “é um orgulho e um privilégio”. Ela resume o trabalho desempenhado pela instituição com um lema: “Salvar vidas e levar dignidade às pessoas no momento em que elas mais são privados dela”.

 

*IstoÉ

Segunda-feira, 20 de dezembro 2021 às 11:54